sexta-feira, janeiro 04, 2008

Sonhos que os teus dedos tecem...

E quando perguntares de que sou feito,
que deverei responder?
Talvez que sou um sonho refeito
sem de o quê saber.
Talvez que pelo mar contrafeito
seja um marujo sem ter
mais que a alma, fustigada ao parapeito
dessa vista a perder
que é o oceano, o teu leito.

Talvez que de entre as ondas e a espuma
emerja, Neptuno, a Verdade;
imponha-se a quilha à bruma
desfazendo gotas ansiedade
pela qual navega sem estrelas. Ruma,
sonhador sem rumo - saudade
de artes profundas e belas, em suma.
Estranhas distâncias que a idade
acresce à paisagem que esfuma,

ao céu de divinas texturas...
Me abandonam porém ao escrevê-la
as suas espirais, as tonturas.
Olho p'ra o alto - conhecê-la
é sentir suas áureas partituras
percorrer os ouvidos de vê-la,
difundir que as telas são duras
para agarrar as tintas dela -
que a Arte renasça em gravuras.

Que nestes confins, nos rochedos
morras em mim, eremita.
Que as forças dela galguem medos,
as forças que emana, bonita
como o musgo que cobre os penedos,
como a vida que a chuva suscita
por solos ásperos enfim ledos
após do temporal a visita.

...Sonhos que tecem seus dedos...

por novelo tendo o que trago
em ambições do passado,
aquele que me orientava, o mago
de cuja performance aliado
um desejo, não dormir o lago,
romper as marés que batem contra o enfado.
Almejar mais que eu, estando pago
o Paraíso e a Pertença. Dourado,
bebo, urgente trago,

o sol que poisa os dias
em que o pintaram forças minhas.
Laranjas tons estes dias
a recolorir forças minhas.